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O Território da Terra Fria

 

 Concelhos Bragança, Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso e Vinhais
 Área 3.598 Km2
 População 66 214
 % população em meios rurais 68%
 Altitude máxima 1400 m
 Amplitude térmica média anual 10º C
 Precipitação média 800 mm

 


Parque Natural de MontesinhoO território da Terra Fria é abundante em panoramas paisagísticos deslumbrantes, propiciados pela natureza quase idílica desta região, que é consequência da elevada percentagem de áreas naturais protegidas (cerca de 60% do total da área regional) donde se salientam o Parque Natural de Montesinho que abrange a parte Norte dos concelhos de Bragança e Vinhais e o Parque Natural do Douro Internacional que abrange o troço do Rio Douro em Miranda do Douro e Mogadouro.

O maior contributo para a manutenção da fabulosa paisagem deve-se à sábia utilização desta terra pela população local, aliás, a gente é parte integrante e indissociável deste encanto que é a Terra Fria.

A sua periferia no contexto nacional justifica-se pelas confrontações norte e nascente com as Regiões Autónomas da Galiza e de León e Castilla, da vizinha Espanha, quer por raia seca nos desenvolvimentos longitudinais, quer pelos cursos do Douro e do Maçãs, em alternância, nos latitudinais.

O posicionamento geográfico e a complexidade física do território não favoreceram a rede interna de acessibilidades, mas propiciaram a articulação das redes viárias nacionais de Portugal e Espanha, encurtando as distâncias desta região aos centros de decisão e aos grandes empreendimentos económicos. As previsões de investimento no reforço destas redes saldar-se-á, naturalmente, na melhoria das acessibilidades interna e externa da Terra Fria, tornando coerente a programação da rede urbana e disponibilizando o acesso a redes de alta velocidade. Assim, com a reformulação dos grandes eixos rodoviários (IP2, IP4, IC5 e Autopista das Rías Baixas) e ferroviários (linha de alta velocidade Madrid-Corunã), as distâncias que separam Bragança das cidades de Lisboa, do Porto ou de Madrid deixarão de se referir em quilómetros (nestes casos, respectivamente, 500, 230 e 340) para serem aferidas em tempo ou comodidade.

O reposicionamento geo-estratégico da Terra Fria que a política comum e a reestruturação viária operaram, está à vista, até na sua envolvente mais próxima com a concatenação de todas as vias transfronteiriças, alargando-se já a dezanove as antigas cinco fronteiras oficialmente institucionalizadas.

Integrando o Maciço Hespérico, formação antiga profundamente metamorfizada e entrosada por rochas plutónicas, a Terra Fria apresenta dois fácies genericamente ajustados às regiões que a nascente e a poente se desenvolvem a partir do alinhamento orográfico das serras da Nogueira e Montezinho - a primeira, vasta e planáltica, estendida até ao Douro e abrangendo em grande parte a bacia hidrográfica do Sabor, seu afluente e a segunda, com relevo acentuado, percorrida pelas correntes do Tuela e do Rabaçal, que se precipitam no Tua e este no Douro. As serras de Sanabria e da Culebra, na sua envolvente galaico-leonesa, alimentam estes cursos e garantem a fecundidade dos lameiros dos vales profundos em contraste extremo com a aridez das encostas e a secura do planalto.

Região marcada por prados permanentes (lameiros), grandes extensões de carvalho negral, magníficos soutos de castanheiros e searas de trigo e centeio, está ainda desesperadamente presa a uma agricultura atávica e de subsistência, que o rigoroso clima de verões quentes e secos e invernos frios e chuvosos, escarmenta e desengana.

Os rudes condicionamentos da Natureza criaram aqui uma das maiores e melhores reservas ecológicas do país, justificando a delimitação dos Parque Naturais de Montesinho e do Douro Internacional e de zonas protegidas de particular interesse florístico e faunístico.

A presença imemorial do homem modelou a Natureza e introduziu algum exotismo que a valorizou, mas sempre numa sábia convivência transmitida de geração em geração, que caldeou o espírito do transmontano e inspirou os seus costumes e as suas tradições.

Numa perspectiva mais alargada, o enquadramento geográfico no país e na Europa tem colocado a sub-região numa situação periférica, partilhada por uma fronteira internacional quase cega e, como se viu, por uma rede deficiente de acessibilidades e comunicações com o remanescente do território nacional e em particular com os centros de decisão enquistados em Lisboa e no Porto.

Contudo, no processo de construção da União Europeia e perante o grande objectivo do reforço da sua coesão económica e social, os espaços transfronteiriços, se adequadamente incentivados, poderão ser geradores de novas centralidades, sobretudo pela inerente possibilidade de alargamento do mercado potencial, proporcionando a escala que falta ao mercado interno.

Mas, apesar destes benefícios, a Terra Fria, onde residem sessenta e seis mil habitantes, continua a sofrer o mal endémico do envelhecimento e esvaziamento demográfico, que se traduz já na perda de 17% da sua população nos últimos trinta anos, contribuindo, assim, para que a região cifre um dos mais baixos índices de desenvolvimento do país (58% da média nacional), reconhecendo-se absolutamente carente de bens, serviços e investimentos externos, que no seu território não tem sido possível implementar. Esta realidade sustenta a afirmação inserida nas conclusões gerais do III Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro "Rumo à Modernidade", organizado em 2002, reconhecendo-se credora de uma dívida histórica de que é sujeito passivo o Estado Português e cujo pagamento a região não está disposta a ver protelado.
 

T. 273 327 680 F. 273 331 938   @ am.terrafria@amtf-nt.pt